O Método Pilates® e a Prevenção de Fraturas Osteoporóticas (PARTE II)
maio 14, 2011
Com a perda de massa óssea, os ossos tornam-se mais frágeis e mais suscetíveis a fraturas. As fraturas osteoporóticas respondem por um alto índice de incapacitação e morbidade, especialmente em indivíduos idosos, já que menos de um terço dos indivíduos que sofreram fraturas de quadril voltam a exercer suas atividades normais sem limitações (Christmas, 2000). Nos EUA, por exemplo, estima-se que 1,3 milhão de mulheres sofrem fraturas osteoporóticas a cada ano (Gregg et al,1998). Portanto, uma vez instalada a osteopenia ou osteoporose, o objetivo do profissional da saúde deve ser a prevenção das fraturas, que é feita pela manutenção da massa e pela redução do risco de quedas (Chan et al, 2003).
Diversas atitudes podem ser adotadas para minimizar o risco de quedas de indivíduos idosos. Dentre os fatores mecânicos, pode-se destacar cuidados com o ambiente onde o indivíduo vive, como: uso de pisos antiderrapantes, uso de barras de apoios em corredores e banheiros, melhora de iluminação e objetos ao alcance do individuo (Pinto Neto et al, 2002).
No que compete a melhora das condições físicas, o exercício é a forma encontrada pelos profissionais da saúde para promover a prevenção das quedas, visto que, a fraqueza muscular, problemas posturais, desequilíbrio e inatividade são os maiores fatores de risco para quedas (Forwood, 2000). Logo, através da atividade, é possível conquistar a melhora da força muscular, da flexibilidade, da coordenação motora, do equilíbrio e da mobilidade geral (Kagan, 2002). Nesse contexto, o Método Pilates surge como uma alternativa para a conquista de todos esses requisitos.
Sendo o Método Pilates uma proposta de atividade física com finalidades terapêuticas, utiliza-se para a prevenção e/ou tratamento de diversas patologias osteo-mio-articulares (Pires & Sá, 2005) como a osteoartrite (Yakut et alli, 2005) e até mesmo em gestantes (Balogh, 2005). No caso específico da prevenção de fraturas osteoporóticas, o Pilates pode ser indicado por promover o aumento da força muscular, o ganho de flexibilidade, a melhora da coordenação motora, do equilíbrio, da postura, proprioceapção e da respiração.
O ganho de força muscular é conquistado através de exercícios resistidos por cargas externas, que podem ser a gravidade, o peso do próprio corpo, as molas dos aparelhos ou as bolas Bobath, solicitados de acordo com a realidade de cada cliente. O aumento da força auxilia na remodelação óssea, através do estímulo mecânico que a contração muscular imprime aos ossos, promovendo a proteção destes. O fortalecimento, assim como em qualquer modalidade esportiva, é conquistado gradativamente.
O alongamento gradativo dos músculos conquistado com o método promove a diminuição de encurtamentos e tensões musculares localizadas, os quais podem ser responsáveis por alterações posturais significativa e deixar estruturas ósseas mais suscetíveis à forca mecânica. Além disso, o alongamento bem orientado auxilia no reequilíbrio muscular entre os grupos agonistas e antagonistas (Aparício & Perez, 2005).
O estímulo à coordenação motora é constante durante a realização dos exercícios do Método Pilates. Ela é conquistada através da precisão dos movimentos e dos recursos utilizados durante o exercício. O manuseio das molas e bolas, realização de exercícios unilaterais, bilaterais e alternados, exige que o praticante demonstre domínio e, dessa forma, obtem-se trabalhos coordenados (Lange et al, 2000).
O manuseio destes equipamentos também impõe ao praticante a necessidade de equilíbrio corporal para a manutenção das posturas em que os exercícios devem ser realizados. Logo, o equilíbrio se torna um dos grandes objetivos do método e um de seus diferenciais (Pires & Sá, 2005).
O alongamento axial promovido pelo Pilates é importante na prevenção das microfraturas das vértebras, principalmente das torácicas que são as mais acometidas, por diminuir a compressão exercida entre uma vértebra e sua adjacente.
Pela ênfase dada ao trabalho respiratório durante a realização de cada um dos exercícios, o Pilates promove a reeducação da respiração e, dessa forma, reduz a tensão e o gasto de energia dos músculos envolvidos no processo respiratório.
Somando-se todos os objetivos almejados pelo Pilates, obtem-se o que se caracteriza como uma das filosofias do método, que é a melhora da consciência corporal, isto é, o autoconhecimento, fundamental para a realização de cada um dos movimentos do corpo. Pilates valoriza muito a interação do corpo e da mente para que haja perfeita harmonia e menor gasto de energia durante a realização das atividades da vida diária (Aparício & Perez, 2005).
Sabe-se que toda e qualquer atividade física deve ser adaptada para atender as necessidades do indivíduo com osteoporose e possibilidade de fratura (Forwood, 2000). Com o Pilates, deve ser da mesma forma.. Cabe ao instrutor de Pilates ter conhecimento a respeito da osteoporose, para que seja possível adaptar os exercícios a necessidade de cada um (Betz, 2005).
A adaptação dos exercícios é feita com base na avaliação física do indivíduo e em seu potencial risco de fratura. Assim é possível determinar a intensidade, freqüência e tipo de exercícios a serem realizados (Betz, 2005).
Portanto, tendo como precauções basicamente as mesmas de outras modalidades esportivas, o Pilates pode ser realizado por indivíduos osteoporóticos, como forma de auxílio a prevenção de quedas e melhora da saúde geral.
Autora: Brena Guedes de Siqueira Rodrigues
Texto extraído do link: http://www.revistapilates.com.br/2011/05/11/o-metodo-pilates%c2%ae-e-a-prevencao-de-fraturas-osteoporoticas-parte-ii/
O Método Pilates® e a Prevenção de Fraturas Osteoporóticas (Parte I)
maio 14, 2011
A osteoporose é definida como uma deterioração do tecido ósseo, isto é, trata-se de perda de massa e diminuição da mineralização óssea (WHO, 2000), caracterizada por densidade mineral igual ou inferior a 2,5 desvios-padrão para o adulto jovem (Silva, 2003). Essa falha da estrutura óssea torna o osso mais suscetível a fraturas (Akesson, 2003), o que afeta a qualidade de vida do indivíduo, seja por suas conseqüências físicas, psicossociais e/ou financeiras (Pinto Neto et alli, 2002; Kowalski et al, 2001) e a torna um problema de saúde pública (Borer, 2005), já que atinge aproximadamente 55% da população norte-americana acima de 50 anos (Lewiecki, 2004).A osteoporose atinge ambos os sexos, jovens e idosos, contudo, há uma maior prevalência para o sexo feminino e idosos. A proporção sexual é de três mulheres para cada um homem. Isto pode ser explicado pela diferença de comprimento de seus ossos, visto que ossos menores tendem a ser mais frágeis e, portanto, mais suscetíveis a fraturas; e pela diferença hormonal, o que também justifica a maior prevalência em indivíduos da terceira idade, etapa da vida em que ocorre diminuição das taxas hormonais (WHO, 2000). Além disso, apresentam maior pré-disposição indivíduos sedentários, da raça branca, com baixo índice de massa corporal, que apresentam desordens endócrinas, predisposição genética e que fazem uso excessivo de bebidas alcoólicas e cigarros (Wilkins & Birge, 2005; Christodoulou & Cooper, 2003; El-Hajj Fuleihan et al, 2002; Betz, 2005).
A origem da osteoporose se encontra no processo de formação e reabsorção de massa óssea, que são condicionadas por fatores mecânicos e hormonais. Existindo a interação desses dois fatores, ocorrerá a perfeita harmonia entre a formação e a reabsorção óssea, resultando em um osso dito saudável, com a massa óssea dentro dos padrões de normalidade. As células responsáveis por esse processo são os osteoblastos e os osteoclastos (Simon, 2005). A osteoporose ocorre, portanto, quando há falha no processo neoformação/reabsorção da massa óssea, ou seja, a patologia pode ocorrer por duas situações distintas. Na primeira, há um déficit de neoformação óssea. Nesse caso, ocorre reabsorção normal da massa óssea, no entanto, a ação dos osteoblastos não é suficiente para suprir a perda. Na segunda situação, ocorre o inverso, ou seja, a reabsorção é maior do que o normal, de maneira que a formação óssea não é suficiente para reparar as lacunas do osso (Culham, 1998).
Com base nisso, a osteoporose é classificada em dois tipos: I: pós-menopausa e II: osteoporose senil (Simon, 2005). O tipo I é o que mais atinge as mulheres. Trata-se da osteoporose por conseqüência da diminuição dos hormônios sexuais, que ocorre durante a menopausa. Essa diminuição desses hormônios - estrógeno e progesterona - promove um aumento do recrutamento dos osteoclatos, cuja finalidade é promover a reabsorção de massa óssea e diminuir a absorção de cálcio pelos intestinos. Portanto, ocorrerá uma maior reabsorção de massa em contraste com uma produção normal ou reduzida desta (Simon, 2005). O tipo II é conhecido como osteoporose senil por manifestar-se em indivíduos com idade avançada, sejam mulheres, sejam homens. Nesse caso, ocorrerá uma queda na produção óssea, por diminuição ou inativação dos osteoblastos, que são as células responsáveis por essa função. Portanto, ocorrerá uma reabsorção normal ou aumentada e uma produção insuficiente para repor a perda de massa (Simon, 2005).
A osteoporose é uma patologia silenciosa, ou seja, normalmente é assintomática até que ocorra uma fratura. No entanto, o indivíduo pode apresentar quadros de dor crônica, deformidades ósseas pela formação inadequada de osso, especialmente da região torácica, com conseqüentes compressões viscerais, comprometimentos respiratórios e déficits de mobilidade, situações que interferirão na qualidade de vida (Zbranca et al, 2004).
O diagnóstico pode ser concretizado pela história clínica do indivíduo, confirmado e quantificado por exames laboratoriais e, principalmente, por imagens, dentre eles: Raio-X e Absorciometria Dupla da Energia dos Raios-X (DXA) (Christodoulou & Cooper, 2003; El-Hajj Fuleiham et al, 2002).
Basicamente, o tratamento da osteoporose tem como princípios o aumento ou, no mínimo, a manutenção em bons níveis da massa óssea e a prevenção de fraturas (Akesson, 2003; Wilkins & Birge, 2005). Para isso, utiliza-se a terapia medicamentosa (controle hormonal), associada à eliminação de fatores de risco, dieta balanceada e encaminhamento para atividade física (Christodoulou & Cooper, 2003).
A importância da atividade física está comprovada cientificamente, visto que, diversos estudos demonstraram que há aumento ou manutenção da densidade óssea em pessoas que praticam atividade física, quando comparadas com sedentárias, durante um mesmo período de tempo (Chien et al, 2000; Bassey, 2001; Forwood, 2000), Além disso, soma-se todas as outras vantagens que os exercícios oferecem, como: os benefícios cardiovasculares, aumento da força muscular, melhora da coordenação motora, melhora do equilíbrio, melhora da estabilização postural, os quais são importantes para a prevenção de quedas (Chan et al, 2003).
Autora: Brena Guedes de Siqueira Rodrigues
Texto extraído do site: http://www.revistapilates.com.br/2011/05/09/o-metodo-pilates%c2%ae-e-a-prevencao-de-fraturas-osteoporoticas-parte-i/
Corpo malhado sem musculação
fevereiro 4, 2009
De uma barriga mais definida ao autocontrole, passando por músculos firmes, fortes e alongados, ótima postura, articulações mais saudáveis, melhor capacidade de respiração e maior tolerância ao stress. Ufa! Não é à toa que o pilates conquista novas adeptas a cada dia.
por Olga Penteado
Espire e solte todo o ar, sentindo seu abdômen encolher ao máximo - como se o umbigo fosse colar nas costas - e as costelas fechando em direção ao centro. Sua barriga fica retinha, a cintura afina. Pena que dure só até a próxima respiração! Você pode, porém, preservar esse momento mágico para sempre ao praticar o pilates, um método de condicionamento físico criado na Alemanha na década de 20. Seja nos aparelhos inventados por Joseph Pilates - estruturas de madeira e metal , com molas etiras de couro - como nos movimentos feitos no chão - técnica conhecida por mat pilates -, os músculos são trabalhados duplamente, ou seja, são tonificados e alongados ao mesmo tempo, mas dentro do limite de cada praticante. “Os corpos treinados pelo método são fortes, alongados, flexíveis e saudáveis.
A postura melhora muito e os movimentos se tornam elegantes”, garante Alice Becker, instrutora e proprietária do Physio Pilates, estúdio em Salvador (BA). “Lembro de uma ex-aluna que dizia que tinha a sensação de estar percorrendo um salão de baile com roupas fluidas, ainda que estivesse atravessando a faixa de pedestre”, conta Alice. Para quem não gosta do ambiente agitado das academias, pilates é ideal, pois permite um corpo malhado sem puxar ferro. Esse é o caso de Tatiana Tiepolo, que pratica no estúdio Physio Sport Pilates, em São Paulo (SP). “Além de músculos mais firmes e bem desenhados, melhorei a postura”, diz ela.
Silhueta nova em três meses
“A técnica dá resultados rápidos e duradouros, por isso está despertando tanto interesse”, diz Teresa Camarão , proprietária de studio no Rio de Janeiro. Segundo ela, em dez seções já dá para sentir diferença na flexibilidade. Em três meses, os músculos estão mais definidos e o condicionamento físico tem uma melhora significativa. “A mulher passa a conhecer seu corpo. Percebe seus limites, mas consegue vencê-los, desenvolvendo o autocontrole”, conta.
Tanto em aparelhos como no solo, o pilates é uma ginástica livre de impacto e que respeita a individualidade. “Os aparelhos servem para posicionar as alunas iniciantes e, ao mesmo tempo, para desafiar as experientes. Em grau avançado, por exemplo, a ginástica pode ser feita em um trapézio acoplado a um dos aparelhos”, diz Vany Giannini, fisioterapeuta e sócia-proprietária do Physio Sport Pilates. No solo, os exercícios exigem ainda mais da praticante, que tem de controlar sozinha o seu corpo. “O trabalho, porém, também pode ser facilitado com o uso de equipamentos como bolas e elásticos”, fala Sandra Tófoli , professora de pilates da academia Fórmula , de São Paulo.
Por dar ênfase à correção postural e ao bom alinhamento das articulações, o método é indicado também para o tratamento de lesões na coluna, joelhos e ombros, entre outras. Ana Paula Brownerompeu os ligamentos dos joelhos ao acidentar-se na Austrália. De volta ao Brasil, passou a se tratar com uma fisioterapeuta especializada na técnica. “Para minha surpresa, não tive que operar os joelhos”, relata Ana Paula, que é aluna do Centro de Ginástica Postural Angélica (CGPA), em São Paulo.
Abdômen forte comanda o corpo
A base do método é o centro de força, composto principalmente pelos músculos do abdômen, região lombar, quadris e glúteos. O centro de força permanece contraído, dando sustentação para movimentação solta, fluida, das pernas e braços.”Temos que controlar o centro de força durante toda a aula, pois é ele que mantém estável a coluna vertebral, evitando lesões”, explica Alexandre Von Ajs, coordenador de pilates da Velox e professor da Estação do Corpo, academias no Rio de Janeiro (RJ). “Para fazer os movimentos, a aluna tem que estar atenta, concentrada. Por isso, dizemos que a mente também está presente na ginástica”, diz Cristina Abrami , instrutora e sócia-proprietária do CGPA.
“Com o treinamento, o cérebro registra as informações e a postura exigida para os exercícios é assimilada automaticamente no dia-a-dia. A barriga fica lisinha e a cintura afinada para o resto da vida”, garante a professora, lembrando também que o posicionamento correto da coluna protege de lesões e dores. Mulheres que já malham estão procurando o método para trabalhar o abdômen, como é caso de Valeska Praxedes, atriz e modelo paulistana de 29 anos que tem aulas de mat pilates na Fórmula. “Fiquei impressionada, até minha cintura afinou”, conta.
Prática mexe com as emoções
Segundo Pilates, que estudou técnicas orientais como a ioga para desenvolver seu método, o centro de força controla não só os movimentos do corpo como as emoções. “A adepta fica mais centrada, nos dois sentidos, físico e mental”, diz Cristina Abrami. Outro fator que interfere no bem-estar é o controle da respiração, fundamental para manter a postura durante os exercícios.
“A respiração adequada também ajuda a combater o stress, pois acalma a mente e controla a agitação”, fala Vany Giannini. “Fiquei mais tranqüila e equilibrada, não me irrito com qualquer coisa”, confirma Luciana Fortes, 28 anos, funcionária pública que treina no Physio Sport Pilates, em São Paulo. Corpo definido, protegido de lesões, menos stress: que proposta irresistível. Não é à toa que o pilates virou mania.




